Estava cursando Engenharia Elétrica na UFPA quando, em 1989, minha mãe me comprou um PC Exato da CCE usado, clone do Apple II. O computador aumentou meu interesse por eletrônica digital. Eu reconhecia na placa-mãe, chips TTL que conseguia entender e substituir quando apresentavam falhas. Aprendi o sistema operacional e a programar. Meu trabalho de conclusão de curso foi uma placa aceleradora para IBM PC usando chip DSP.
Daí foi natural escolher a área de processamento de sinais ao iniciar o mestrado na UFSC. Como eu gostava de circuitos, cursei as excelentes disciplinas de microeletrônica também, o que me permitiu mais adiante participar de concursos para docente nesta área. A dissertação no mestrado foi em codificação de voz. O doutorado foi na Universidade da Califórnia de San Diego (UCSD), onde cursei disciplinas em processamento de sinais e aprendizado de máquina. A tese de doutorado foi defendida em 2003, em reconhecimento de fala.
Já de volta às atividades na UFPA, submetia propostas para todos os editais que apareciam. Um projeto emblemático foi o de uso de chips RFID para búfalos no Marajó / Amazônia. Eu me inquietava se iria executar projetos efetivamente utilizando o que havia estudado / pesquisado. Em 2004, iniciamos colaboração com a Ericsson e daí me dediquei a aprender telecomunicações. Como parte deste esforço, voltei aos EUA por mais duas ocasiões, em atividades de pós-doutorado.
Curiosamente, parte significativa das técnicas que estudei no doutorado para reconhecimento de fala, e pensei que não mais as usaria, são adotadas atualmente em problemas de telecomunicações. Em geral, acabei trabalhando com assuntos bastante diferentes ao longo da carreira, mas eventualmente me benefício disso.
Depois de concluir o mestrado, tive a satisfação e honra de ser aprovado em concursos para professor efetivo na UFPR (Curitiba) e na UFSC (Florianópolis). Fui admitido na UFSC em 20/set/1995 e ministrei disciplinas de laboratório por um período letivo. Início de carreira é repleto de desafios. No laboratório de microprocessadores da UFSC havia possantes kits 68000 doados pela Motorola mas que não estavam sendo usados. Descobri que os cabos seriais (RS232) embalados com os kits eram inadequados, mas bastava trocar Tx e Rx (fazer “crossover”) para que os kits funcionassem. Pude assim adotá-los e passei a ministrar aulas com recursos excelentes. Ainda recordo os rostos intrigados dos alunos quando expliquei entusiasmado instruções de “shift left” em “assembly” dizendo em bom português amazônida que bits “arredam” para a esquerda.
Pedi demissão da UFSC para me preparar para um concurso na UFPA, onde fui admitido em julho de 1996. Ajudei amigos professores a criar o Laboratório de Processamento de Sinais (LaPS) da UFPA. Depois fui cursar doutorado na UCSD nos EUA, e brincava que iria espionar as causas do sucesso das universidades norte-americanas no tocante à gestão e interação com indústria. Fiquei também atento a esses aspectos quando visitei por 3 meses a Universidade de Estocolmo. Quando assumi em 2009 o cargo de diretor da faculdade de Engenharia da Computação na UFPA, busquei combater problemas como corporativismo, assim como adequar algumas das boas práticas internacionais à realidade da UFPA.
Em 2009 criamos o LASSE (Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações, Automação e Eletrônica), localizado no Parque de Ciência e Tecnologia do Guamá, em Belém. O LASSE vem executando projetos de PD&I, assim como ações para inclusão digital na Amazônia e outras de cunho social. Tornei-me pesquisador de produtividade do CNPq em 2011. Neste momento da carreira, sinto que valeram a pena os esforços, pois tenho tido a satisfação de atuar com vários pesquisadores competentes em projetos de relevância. 3. Quais suas referências profissionais? Tive a fortuna de ter ótimos orientadores, professores e tutores, além de trabalhar com excelentes profissionais da academia e indústria. Pude observá-los e aprender muito. Mas após duas décadas educando meus próprios filhos, pude perceber a importância da família na composição das minhas referências profissionais. Só a experiência nos permite perceber que o impacto do acaso é menor do que imaginamos ao vivenciá-lo. Quando mais jovem, eu costumava contar que cursei a graduação em Engenharia Elétrica por mero acaso, por ser reputado como o melhor curso de engenharia da UFPA. E me inscrevi no mestrado na UFSC porque um amigo me mostrou o caderno promocional. E fiz doutorado na UCSD porque um amigo estudava na UC Berkeley. Narrava minha formação ressaltando o papel do acaso na mesma. Só mais recentemente passei a perceber fatores “latentes”. Foram infância e juventude repletas de convívio com professores que amavam a profissão. Dois “influenciadores” da antiga são uma bisavó materna e um tio-avô, que emprestaram seus nomes às escolas (EMEF) Benvinda de França Messias e (EEEFM) Aldebaro Klautau em Belém. Até hoje encontro pessoas que relatam a didática diferenciada que tinham. Penso hoje que eu não poderia ter escolhido algo distinto de ser professor. E para quem descobre que ambos avô materno e pai conquistaram suas esposas entremeando juras de amor com conceitos de álgebra e geometria em lições particulares, saber matemática não é meramente questão de empregabilidade, mas de perpetuação da espécie! Como filosofia, meu pai sempre se vangloriava de que me presentearia com os livros que eu quisesse, ao me negar por vários anos um Autorama da Estrela como presente. Talvez por isso eu já fosse assinante da revista “Ciência Hoje” da SBPC ainda adolescente. E, mesmo gerando eventuais revoltas, meu pai me pedia para redigir textos para uso no trabalho dele, e às vezes afrontava minha timidez me mandando fazer discursos em variadas ocasiões e para distintas plateias. Só recentemente percebi que minhas escolhas se deram pelo treinamento e referências profissionais que minha família me proporcionou. Em especial, meu pai fez o papel não apenas de principal referência, mas de sábio instrutor.
Tive a fortuna de ter ótimos orientadores, professores e tutores, além de trabalhar com excelentes profissionais da academia e indústria. Pude observá-los e aprender muito. Mas após duas décadas educando meus próprios filhos, pude perceber a importância da família na composição das minhas referências profissionais. Só a experiência nos permite perceber que o impacto do acaso é menor do que imaginamos ao vivenciá-lo. Quando mais jovem, eu costumava contar que cursei a graduação em Engenharia Elétrica por mero acaso, por ser reputado como o melhor curso de engenharia da UFPA. E me inscrevi no mestrado na UFSC porque um amigo me mostrou o caderno promocional. E fiz doutorado na UCSD porque um amigo estudava na UC Berkeley. Narrava minha formação ressaltando o papel do acaso na mesma. Só mais recentemente passei a perceber fatores “latentes”. Foram infância e juventude repletas de convívio com professores que amavam a profissão. Dois “influenciadores” da antiga são uma bisavó materna e um tio-avô, que emprestaram seus nomes às escolas (EMEF) Benvinda de França Messias e (EEEFM) Aldebaro Klautau em Belém. Até hoje encontro pessoas que relatam a didática diferenciada que tinham. Penso hoje que eu não poderia ter escolhido algo distinto de ser professor. E para quem descobre que ambos avô materno e pai conquistaram suas esposas entremeando juras de amor com conceitos de álgebra e geometria em lições particulares, saber matemática não é meramente questão de empregabilidade, mas de perpetuação da espécie! Como filosofia, meu pai sempre se vangloriava de que me presentearia com os livros que eu quisesse, ao me negar por vários anos um Autorama da Estrela como presente. Talvez por isso eu já fosse assinante da revista “Ciência Hoje” da SBPC ainda adolescente. E, mesmo gerando eventuais revoltas, meu pai me pedia para redigir textos para uso no trabalho dele, e às vezes afrontava minha timidez me mandando fazer discursos em variadas ocasiões e para distintas plateias. Só recentemente percebi que minhas escolhas se deram pelo treinamento e referências profissionais que minha família me proporcionou. Em especial, meu pai fez o papel não apenas de principal referência, mas de sábio instrutor.
Só a experiência nos permite perceber que o impacto do acaso é menor do que imaginamos ao vivenciá-lo. Quando mais jovem, eu costumava contar que cursei a graduação em Engenharia Elétrica por mero acaso, por ser reputado como o melhor curso de engenharia da UFPA. E me inscrevi no mestrado na UFSC porque um amigo me mostrou o caderno promocional. E fiz doutorado na UCSD porque um amigo estudava na UC Berkeley. Narrava minha formação ressaltando o papel do acaso na mesma. Só mais recentemente passei a perceber fatores “latentes”.
Foram infância e juventude repletas de convívio com professores que amavam a profissão. Dois “influenciadores” da antiga são uma bisavó materna e um tio-avô, que emprestaram seus nomes às escolas (EMEF) Benvinda de França Messias e (EEEFM) Aldebaro Klautau em Belém. Até hoje encontro pessoas que relatam a didática diferenciada que tinham. Penso hoje que eu não poderia ter escolhido algo distinto de ser professor. E para quem descobre que ambos avô materno e pai conquistaram suas esposas entremeando juras de amor com conceitos de álgebra e geometria em lições particulares, saber matemática não é meramente questão de empregabilidade, mas de perpetuação da espécie!
Como filosofia, meu pai sempre se vangloriava de que me presentearia com os livros que eu quisesse, ao me negar por vários anos um Autorama da Estrela como presente. Talvez por isso eu já fosse assinante da revista “Ciência Hoje” da SBPC ainda adolescente. E, mesmo gerando eventuais revoltas, meu pai me pedia para redigir textos para uso no trabalho dele, e às vezes afrontava minha timidez me mandando fazer discursos em variadas ocasiões e para distintas plateias.
Só recentemente percebi que minhas escolhas se deram pelo treinamento e referências profissionais que minha família me proporcionou. Em especial, meu pai fez o papel não apenas de principal referência, mas de sábio instrutor.
Penso que exercer profissão que envolve ciência sem participar de sociedade científica, é similar a gostar de futebol e não torcer por um time sequer. A pessoa pode até ir para o estádio, mas não vivencia a mesma emoção do torcedor.
A SBrT, assim como outras sociedades científicas, congrega profissionais com interesses comuns, e realiza eventos que são oportunidades para crescimento profissional e congraçamento. Sociedades como a “Royal Society of London”, que existe desde 1660, foram responsáveis por diversos avanços significativos da ciência. Pois a maioria das grandes descobertas modernas foram baseadas em estudos prévios, compartilhados por outros. Isso é indicador da importância das sociedades científicas.
E um dos principais motivos para participar da SBrT em específico, é investigar de forma colegiada soluções para problemas que assolam nosso país, trocando experiências por exemplo acerca de tecnologias para inclusão digital.
Meu primeiro SBrT foi o décimo, em 1992, em Brasília. Como não tive recursos para pagar inscrição no minicurso, “pedi emprego” ao prof. Henrique Malvar no primeiro dia do evento, em troca de assistir a um excelente tutorial. Tentei explicar a importância para minha dissertação, mas acho que ele se comoveu mesmo por meu braço engessado (quebrado em torneio de futsal na UFSC). Ganhei o emprego e me enturmei tanto com a equipe organizadora que deixei tardiamente o local no dia do coquetel de abertura, quando já havia passado o último ônibus e não mais havia viva alma nas ruas daquele setor de Brasília. Pedi carona a um taxista saindo do evento e fui salvo pela comitiva da PUC-RJ que estava no táxi (acho que também comovidos pelo braço engessado).
Apesar do susto digno de caipira perdido na capital, mal pude esperar para participar do SBrT de 1993 em Natal, RN. Nele apresentei artigo referente à minha dissertação de mestrado. Estava tão nervoso e empolgado que o “chair” da sessão, prof. Roberto Boisson de Marca precisou me alertar duas vezes do tempo esgotado. O SBrT passou a fazer parte da minha vida.
O mais importante foi o XV, em Recife, em 1997. No vôo Belém-Recife eu avistei uma encantadora moça e, apesar de todas técnicas de conquista que a engenharia ensina (“divide-and-conquer”, “game theory”, “imitation learning”, etc), fracassei em a conhecer no avião. Apesar dela ter ido participar de outro evento, o destino quis nos levar em certa noite ao mesmo local do Recife Antigo. Daí,... casei.
Contudo, o SBrT não é feito apenas de minicursos, artigos científicos e romances. Na noite do banquete de um SBrT que busco não recordar vividamente, após dica dos organizadores, a cantora chamou: - Sabemos que há um paraense músico na plateia. Que venha ao palco!
Mas o prof. Gervásio Cavalcante, Professor Emérito da UFPA, músico e poeta estava bem longe. Perto do palco estava eu. Dois amigos da UFSC que eram halterofilistas, impulsionados pela alegria dos coquetéis, empurraram-me até a cantora. Desconfio que a veia humorística do Gervásio o fez atrasar o passo até que eu iniciasse sozinho a cantoria de “Trem das Onze”. Até hoje ainda encontro pessoas no SBrT que dizem se lembrar do meu vexame.
Quando comparo com outros lugares onde trabalhei, acho Belém, e a Amazônia em geral, deveras isolada. Internet e tecnologias como videoconferência vêm diminuindo aspectos desse isolamento. Com elas, o pesquisador pode encontrar a informação que já deseja. Mas essa tecnologia não me é eficaz para aprender sobre aquilo que não conhecia ou não percebia como importante. A imersão em eventos e palestras é mais efetiva para isso. Daí a importância de participar de eventos e visitar grandes centros com periodicidade, se possível.
O que temos buscado fazer no LASSE, grupo que coordeno, é organizar as disciplinas de pós-graduação que ministramos de maneira diferenciada, com bom balanço entre teoria e prática. Também recrutamos alunos ainda na graduação e os treinamos para cursarem as disciplinas de pós-graduação. Se os alunos atingem uma formação sólida, os resultados e publicações são de maior impacto.
Outro desafio para quem se situa geograficamente na periferia é fazer com que os resultados de uma pesquisa alcancem o impacto que teriam caso gerados em um grande centro. Por exemplo, em visita aos EUA há alguns anos, reuni com jovem professor de uma universidade norte-americana. Combinamos artigo em conjunto e compartilhei códigos. Ele interrompeu as reuniões repentinamente, publicou sozinho um artigo que me agradece por “dicas” e passou a ter presença de razoável impacto nesse tópico. Quando comparado ao que conseguimos fazer, ele se beneficia por ter acesso a mais financiamentos e equipamentos, maior número de alunos, etc.
Mas eu não trocaria de posição com esse jovem. Há centros de excelência onde as pessoas dão mais prioridade a indicadores como número de citações do que à própria ética. Particularmente prefiro situação mais equilibrada, onde fins não justifiquem meios.
Não ouso dizer que consigo superar os desafios de estar fora dos grandes centros. Mas as perdas à carreira advindas do fato de não os superar por completo, é imensamente compensada de outras formas. Um exemplo são as contribuições à sociedade local, caso a pessoa os valorize. Por exemplo, quando nosso programa de pós-graduação em engenharia elétrica (PPGEE) completou 30 anos em 2016, ganhei homenagem por ser na época o professor com maior número (hoje são 66) de orientações de mestrado concluídas ao longo da existência do PPGEE. Por conta disso, quando a vaidade me acomete, penso que no meio de 400 bilhões de árvores espalhadas nos 5 milhões de km2 da Amazônia, cá estou eu, ajudando efetivamente alguns jovens a terem salários que permitam vidas dignas a eles e suas famílias. Neste contexto, os indicadores prioritários mudam e estar fazendo pesquisa afastado dos grandes centros não causa aflição.
Jogar futebol “pelada” no fim de semana é o hobby sobrevivente. Ainda arrisco jogar com os alunos em eventos especiais, tipo confraternização de fim de ano do laboratório. Mas as gloriosas atuações armando jogadas no meio de campo e fazendo gol “de placa”, vêm sendo substituídas pelas de centro-avante “banheira” com gol de pênalti cavado por outrem. Receio que voltarei em breve a criar peixes ornamentais!
Sobre as fontes não técnicas: em 2023 percebi que estava investindo tempo demais no Whatsapp. Após as vitórias do Remo sobre o Paiçandú, gerava diversos memes contundentes. Também estava lendo muitas notícias sugeridas por empresas como a Google. Eu imaginava estar me modernizando. Passei até a assinar sites como medium.com para ler sobre IA em doses homeopáticas. Mas após um tempo usando esta estratégia, estava soterrado por informações apenas superficiais.
Agora estou usando os amigos como fonte de informação, e recebido sugestões principalmente de livros e podcasts. Alguns são “apenas” bons romances. Mas como o grupo é eclético, às vezes os livros são especializados. Por exemplo, de amigo religioso recebi sugestão de um livro sobre a teologia de Santo Agostinho. Apesar de católico praticante, eu não tinha a mínima ideia sobre teologia e sofri para entender o básico. Há uma semana, aprendi sobre epigenética em um livro recomendado, e achei curioso que emoções e experiências traumáticas possam ser transmitidas para gerações seguintes, contrariando o que me ensinaram na escola. Em 2025 estarei apostando na satisfação extra quando conseguimos aprofundar conhecimento em algo bem distinto do tradicional!
O primeiro é buscar ser tecnicamente competente, engajado, proativo, comunicativo e ético. As estatísticas indicam que engenheiros(as) com essas habilidades são valorizados em todo o mundo.
O segundo é estar atento e se empenhar ao máximo para aproveitar as oportunidades. Gosto de contar que, enquanto estudante, eu andava diariamente até o local onde o ônibus “circular” da universidade estacionava. Quando o avistávamos, não sabíamos se ele já estava de saída ou demoraria ainda até 5 minutos. Minha tática era correr loucamente assim que o via. A desvantagem dela era que muitas vezes as pessoas que tinham caminhado calmamente pegavam o mesmo ônibus, e não dispensavam demonstrar com sorrisos a vitória de suas estratégias em prol do mínimo consumo de energia. Mas naquele estacionamento e ao longo da carreira, vi muitas vezes o “ônibus” partir de supetão, deixando alguns para trás. Penso que os jovens que realmente querem ascender na carreira, devem se dedicar à mesma com energia e paixão.
E o terceiro é talvez mais difícil: praticar algum “estoicismo” enquanto se constrói uma carreira plena, com paciência. Percebo nos jovens uma preocupação muito grande com o salário e qualidade de vida diferenciada. A ambição ajuda sim o desenvolvimento da carreira, mas se não for regulada, acaba por alimentar uma ansiedade excessiva. Poucas pessoas aprendem seus ofícios em condições ideais, onde tempo e dinheiro não são problemas. Mas apesar de cientes de eventuais limitações nas suas formações, no início das carreiras, muitos jovens não exercitam paciência, assumindo postura negativa em relação ao emprego atual e/ou conhecimento que possuem. Essa postura acaba por desmotivar, prejudicando a saúde mental e evolução na carreira. Ajustar o foco para que a visão não fique ofuscada apenas pelo salário inicial, e concentrar esforços em um aprendizado contínuo/incremental, saudável e recompensador, pode soar piegas, mas ajuda superarmos o difícil momento de inserção no mercado de trabalho. E nos dá fôlego para construirmos carreira profissional permeada de paz e realizações, com boa remuneração.
A que me vem à mente é a inteligência artificial (IA), pois é um assunto que venho estudando. Creio que mesmo descontando esse viés pessoal, o número de novas aplicações de IA indica que ela será norteadora em diversas áreas. A IA generativa, exemplificada pelo ChatGPT e similares, é bom exemplo. É curioso que, quando nos detemos a estudar a matemática por trás destes modelos, observamos uso até ingênuo de conceitos como similaridade a partir de produtos internos (na amplamente adotada arquitetura “Transformer”). Mas aliados a uma grande base de dados para treino, esses modelos se mostram poderosos, e estão sendo aperfeiçoados de maneira vertiginosa. Especulo que modelos mais adequados ao raciocínio (“reasoning”) e IA geral (AGI) irão em breve revolucionar áreas como a medicina.
Entendo que a IA será norteadora de muitas mudanças no cotidiano pois a sociedade já se depara com situações tais como: o sistema baseado em IA fornece diagnóstico com qualidade superior ao profissional de medicina. Daí, quando a comunidade médica faz “lobby” contra o uso de tais sistemas, precisa se perceber incoerente caso aceite que a IA continue sendo aplicada a veículos autônomos que desempregam motoristas.
Sendo otimista, talvez não repitamos erros cometidos durante a revolução industrial, e a IA seja regulada em prol do bem-estar coletivo e não do lucro de “big techs”.
Havendo ao longo do tempo lido as entrevistas anteriores de prestigiados profissionais, fiquei inicialmente surpreso, e depois bastante orgulhoso, ao ser convidado a fazer parte desse seleto grupo. Fico grato à SBrT pela oportunidade e distinção!
Feliz o país que valoriza sua história e cultura. Feliz e muito oportuna a SBrT pelo registro das opiniões e memórias de quem a traz no coração!
Sociedade Brasileira de Telecomunicações. Rua Marquês de São Vicente, 225 — Rio de Janeiro, RJ.