Desde a minha infância eu havia demonstrado curiosidade sobre o funcionamento de um rádio. Quando fiz 13 anos, ganhei de presente de aniversário do meu tio, que era engenheiro mecânico, o brinquedo chamado “Philips Engenheiro Eletrônico”. Logo depois, meu avô me deu de presente um curso por correspondência do Instituto Universal Brasileiro sobre eletrônica e rádio. Lembro de ficar ansioso aguardando a vinda pelo correio das apostilas e do material para montagem de um rádio. Não parou aí: fui estudar para ser técnico em telecomunicações na Escola Técnica Federal de Pernambuco em Recife. E depois entrei na Universidade Federal de Pernambuco para cursar engenharia elétrica. Minha curiosidade havia aumentado: queria entender como funcionava uma TV, principalmente seu tubo de raios catódicos. Na Universidade, ao me deparar com a disciplina “Princípios de Comunicações”, que era ministrada pelo Prof. Valdemar Cardoso, descobri que existia uma forte teoria matemática que modelava os sistemas de comunicações e comecei a me interessar por ela. Até hoje ainda não me aprofundei no estudo do tubo de raios catódicos. Minha curiosidade havia mudado da eletrônica das comunicações para a teoria dos sinais.
Após o término do curso de graduação, iniciei meus estudos de mestrado no Departamento de Comunicações da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC) da Unicamp sob a orientação do Prof. Walter Borelli. Ele sugeriu modulação codificada como tópico da pesquisa de mestrado. Modulação codificada se tornou um importante tópico de pesquisa após a publicação do artigo de Gottfried Ungerboeck no simpósio de teoria da informação do IEEE em 1976. Continuei fazendo pesquisa neste tópico quando fui para a Alemanha realizar meus estudos de doutorado na Universidade Técnica de Darmstadt sob a orientação do Prof. Bernhard Dorsch. Acredito que estes fatos contribuiram para que, ao voltar da Alemanha e me tornar docente na FEEC, eu escolhesse desenvolver pesquisa em teoria da informação aplicada. Em 2012, com a criação do curso de Engenharia de Telecomunicações na Faculdade de Tecnologia (FT) da Unicamp no Campus de Limeira, passei a integrar o corpo docente da Coordenadoria de Telecomunicações da FT.
Minha carreira profissional foi uma carreira acadêmica. Tive a oportunidade de conhecer e conversar com muitos professores que são referências no Brasil e no Exterior. Vou citar apenas alguns com quem tive oportunidade de trocar ideias em diferentes ocasiões. No Brasil, os professores Fábio Violaro, Amauri Lopes, Reginaldo Palazzo e Valdemar Cardoso. No exterior, os professores James Massey, Lajos Hanzo e João Barros. Com eles aprendi a dar igual importância às atividades de ensino, de pesquisa e de extensão na carreira universitária. E quando possível, procurar integrá-las. Incluo nas atividades de extensão a participação em sociedade técnicas e/ou científicas.
Eu vejo esta participação como uma oportunidade única de nos colocar em contato com estudantes, docentes, pesquisadores e os mais diversos profissionais das indústrias e das empresas. A participação nestas sociedades é sem dúvida um fator que impulsiona o desenvolvimento profissional de seus membros. Muitas destas sociedades se tornaram uma referência para profissionais de diferentes áreas e a SBrT é uma delas. Além destes aspectos, elas podem contribuir de forma ativa no enfrentamento dos problemas de qualquer país. No ano passado, a participação da SBrT na “Frente pela Vida” e no apoio financeiro às comunidades carentes são exemplos disto.
de nos contar?
Participei pela primeira vez num simpósio da SBrT em 1986 no Rio de Janeiro. Era o IV Simpósio Brasileiro de Telecomunicações. Apresentei resultados da minha pesquisa de mestrado. Desde então, só deixei de participar de alguma edição do simpósio por me encontrar fora do Brasil. O simpósio de 2017 (realizado em São Pedro) teve a presença do Prof. Mohsen Kavehrad que ministrou uma plenária sobre “Optical Wireless Communications”. Ele havia recentemente se aposentado após uma longa e bem sucedida carreira profissional e acadêmica. O fato que me chamou a atenção foi a maneira engajada como ele participou do simpósio inclusive assistindo as sessões de posters dos alunos de iniciação científica e conversando com eles. Um dia antes da sua plenária, ele foi verificar o sistema de projeção das transparências e sugeriu que de alguma maneira a qualidade da imagem projetada poderia ser melhorada. Após várias tentativas via software, ele solicitou uma escada e orientou o pessoal de suporte a ajustar o foco do projetor. Isto contribuiu para a qualidade das imagens das apresentações durante o evento.
Eu tive a oportunidade de participar da organização do simpósio em duas ocasiões: em 2005 e em 2017. Em 2005, fui um dos coordenadores técnicos, atuando em conjunto com os Profs. Paulo Cardieri e Nelson Saldanha. A coordenação geral foi do Prof. Palazzo que aceitou realizar o simpósio em Campinas com um prazo menor para preparação. Apesar do prazo, a dedicação dos membros do comitê organizador na preparação proporcionou a realização de um simpósio com um número significativo de participantes. Foi introduzido nessa edição o sistema JEMS de submissão de artigos. E também, pela primeira vez, o simpósio passou a contar com sessões de trabalhos de iniciação científica. Em 2017, fui um dos coordenadores gerais, atuando em conjunto com o Prof. Celso de Almeida. O simpósio foi realizado em São Pedro, uma estância turística próxima do campus da Unicamp em Limeira. O comitê organizador contou com a participação de docentes da Faculdade de Tecnologia e da Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp em Limeira. Foi incluído nessa edição o espanhol como uma língua oficial do simpósio, o que atraiu participantes de países vizinhos.
Minhas atividades profissionais não exigem minha presença num laboratório. Eu tenho utilizado ferramentas de vídeo conferencia para ministrar aulas e também para as reuniões com colegas e alunos. Também tenho utilizado uma mesa digitalizadora substituindo o quadro que uso nas aulas presenciais. Mas a minha sensação é que estas atividades sofrem uma perda de qualidade quando realizadas de maneira remota.
Na era digital em que vivemos, considero o hábito de ouvir notícias no rádio e na TV como um hobby. E pratico muito. Gosto de ler romances. Mas também outros gêneros. Estou lendo no momento “Arrancados da Terra” de Lira Neto. É um livro sobre fatos históricos. Mas como alerta o próprio autor: "Muito tempo atrás, lá no século XVII. Escrevi um livro que nos lança perguntas atuais - a maioria, incômodas, mas necessárias e urgentes. É uma obra sobre a luta e a resistência contra a intolerância, o preconceito, a construção dos discursos de ódio, as teorias conspirativas, a constituição de inimigos imaginários, a propensão a encarar o outro, o diferente, como uma ameaça a ser eliminada. Infelizmente, nada pode ser tão atual quanto isso."
Mantenha-se dentro da ética profissional. Em poucas palavras: “Não faça aos outros o que não quer que façam a você.” Arrisque-se. Não tenha medo de errar. O que importa é a qualidade do erro.
Sem dúvida as “Superfícies Inteligentes Reconfiguráveis” representam uma nova área de pesquisa em comunicações sem fio para o futuro próximo. Por indicação do Prof. Weiler Finamore, iniciei recentemente a leitura do livro “Wave Theory of Information” escrito pelo Prof. Massimo Franceschetti. O livro inicia uma unificação da teoria das ondas eletromagnéticas e a teoria da informação. O desenvolvimento desta unificação deverá representar também uma nova área de pesquisa em comunicações sem fio.
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