Formei em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Juiz de Fora, Minas Gerais, em 1969. Após algumas entrevistas de emprego, tive a convicção de que gostaria e precisava mesmo de aprofundar os estudos. Através de alguns professores do Centro de Estudos em Telecomunicações da PUC-Rio (CETUC) que faziam parte também do nosso corpo docente em Juiz de Fora, eu e outros colegas fomos encaminhados ao Programa de Mestrado em Engenharia Elétrica da PUC-Rio (ênfase em Telecomunicações) conduzido pelo CETUC. Fundado em 1966, o CETUC já se estabelecia como pioneiro na pesquisa em Telecom no Brasil.
Meu ingresso no CETUC como aluno de mestrado coincidiu com a implantação pelo governo brasileiro de uma nova política de apoio à ciência e à tecnologia, que passaram a ser vistas como fatores de fundamental importância para o desenvolvimento nacional. Isto trouxe ao CETUC a oportunidade de ampliar seu corpo docente e de pesquisadores. Assim, pude me tornar professor do CETUC logo em 1971. Fascinado pela teoria das comunicações, escolhi a área de sistemas de telecomunicações como minha área de pesquisa. Conclui meu mestrado em 1973. Isto coincidiu com o início da parceria do CETUC com a TELEBRÁS que deu ao CETUC um extraordinário impulso no desenvolvimento de atividades de P&D diretamente voltadas para os interesses do Brasil. Diante da possibilidade de participar de projetos importantes para o desenvolvimento de tecnologia brasileira em Telecomunicações, optei por me envolver com estes projetos, abdicando naquele momento de prosseguir com a carreira acadêmica buscando um doutorado.
Por uma feliz coincidência, pude ingressar em uma instituição de excelência como o CETUC, onde tive o privilégio de conviver com professores e alunos brilhantes pelos quais tenho grande admiração. Pela amizade que cultivamos a partir da breve convivência no mestrado e pela admiração com a qual acompanhei sua carreira, menciono aqui o Helio Graciosa, que tem dado uma enorme contribuição à tecnologia nacional de Telecomunicações através de seu trabalho no CPqD Telebrás, lembrando também sua atuação sempre fundamental na SBrT.
Com os ventos da redemocratização do país na década de 1980, a comunidade científica percebeu a importância de se organizar e se associar para participar da definição dos rumos da ciência e da tecnologia no Brasil. Foram criadas diversas associações de professores e pesquisadores em diversas áreas de atuação, entre elas a SBrT em 1983. Este movimento veio ao encontro de um anseio pessoal. Desde o início de meu trabalho como pesquisador no CETUC, sentia necessidade de criar um vínculo entre as atividades acadêmicas e a sociedade. Participei com muito entusiasmo da criação da SBrT sob a liderança dos professores José Paulo Albuquerque e Helio Waldman. Durante muito tempo fui editor do Boletim Informativo da SBrT.
de nos contar?
O simpósio da SBrT passou a ser o veículo inicial de divulgação de nossos trabalhos de pesquisa e um estímulo às nossas atividades. Desde o primeiro simpósio, sempre procurei divulgar meu trabalho de pesquisa e de meus alunos.
Gostaria de lembrar um momento importante da atuação política da SBrT nos anos que antecederam a Assembleia Constituinte de 1988. Em agosto de 1984, sob a coordenação da SBPC, representantes das associações se reuniram em São Paulo para discutir o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (PADCT). Em março de 1985, houve nova reunião entre as associações e o ministro da Ciência e da Tecnologia, Renato Archer, onde foram discutidas as diretrizes políticas do novo ministério e a participação da comunidade nos processos decisórios. E neste ano tivemos um dos simpósios mais marcantes da SBrT, realizado em São José dos Campos, que teve participação de personalidades importantes do setor governamental e industrial, como Rômulo Furtado – secretário do Ministério das Comunicações, Ozires Silva, presidente da Embraer, além de outras referências no setor de P&D.
Em 1986, a SBPC criou a Comissão de Estudos para a Constituinte com a finalidade de coordenar a elaboração pela comunidade científica de propostas relativas à ciência e tecnologia. Tive a satisfação e a honra de representar a SBrT nesta comissão integrada por membros ilustres da nossa comunidade.
Sempre gostei de música, me interessei por fotografia durante um tempo, mas acabei me dedicando ao violão. Até hoje é uma atividade que me dá muito prazer.
Acompanho as notícias do dia a dia pelos principais jornais e não fiquei alheio às redes sociais. Olho eventualmente canais do youtube como o 247 e BBC News. Para matérias de conteúdo científico, recomendo o canal do Prof. Marcelo Gleiser. No Facebook sigo o Prof. Renato Janine, atual presidente da SBPC.
As carreiras profissionais têm mudado tanto que não me sinto a vontade em dar conselhos. Mas, de qualquer forma, um conselho óbvio é procurar estar sempre atualizado e atento às transformações tecnológicas. Sempre valorizei bastante a persistência, mas creio que hoje o profissional deve estar ciente de que poderá ter que redirecionar sua carreira a qualquer momento.
Creio que hoje há um consenso de que a informática, especificamente a inteligência artificial em suas diversas aplicações, são, cada vez mais, os carros chefes da tecnologia que já estão norteando e vão cada vez mais nortear nosso futuro.
Felizmente não tive muita dificuldade em tomar a decisão de me aposentar. No momento em que me foi oferecida esta opção, sentia que minhas atividades não estavam dando a devida satisfação pessoal nem resultando em contribuição relevante. Assim como tive a oportunidade única de uma carreira profissional extremamente gratificante no CETUC/PUC-Rio, também estou sendo muito feliz na aposentadoria. Encontrei em Juiz de Fora MG uma moradia no meio da natureza, próxima de minha família onde eu e minha esposa temos cultivos diversos como jardim, horta, pequena plantação de café e também criação de galinhas. Pude me dedicar mais ao violão, à composição musical, à leitura e também realizar alguns trabalhos sociais. Além disso, concluí, em parceria com os colegas professores Abraham Alcaim e Raimundo Sampaio Neto o livro Princípios de Comunicações e escrevi, em parceria com um primo, um pequeno livro sobre meu avô. Para quem tiver interesse em conhecer alguns de meus registros musicais e outros segue o link
Minha geração teve sua carreira profissional motivada pelo sonho de um Brasil mais desenvolvido. Tivemos muito progresso nesta direção, mas hoje vivemos uma época de incertezas com muita desarmonia em nosso país. Apesar dos desafios, espero que as novas gerações não deixem de sonhar com um Brasil melhor e que a SBrT continue exercendo o papel importante de congregar a comunidade de telecomunicações em torno destes ideais.
Sociedade Brasileira de Telecomunicações. Rua Marquês de São Vicente, 225 — Rio de Janeiro, RJ.