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Entrevista · Memória da SBrT

Prof. Rausley Adriano Amaral de Souza

Professor Titular do Inatel (Instituto Nacional de Telecomunicações). Possui graduação em Engenharia Elétrica pelo Inatel (1994), Mestrado em Engenharia Elétrica pelo Inatel (2002) e Doutorado em Engenharia Elétrica pela Unicamp - Universidade Estadual de Campinas (2009). Atuou como pesquisador visitante na The University of Sydney e na LUT University (Lappeenranta-Lahti University of Technology). Atuou por seis anos como coordenador adjunto para o programa de pós-graduação Lato Sensu do Inatel. Atuou como professor adjunto da Faculdade de Medicina de Itajubá. Já publicou artigos em revistas do IEEE (Institute of Electrical and Electronics Engineers) e em congressos internacionais. Foi coordenador e membro da Câmara de Assessoramento de Arquitetura e Engenharias - TEC da Fapemig. Foi coordenador geral do XL Simpósio Brasileiro de Telecomunicações e Processamento de Sinais (SBrT 2022). Foi Editor-in-Chief da JCIS (Journal of Communication and Information Systems). Atualmente é Editor na IEEE Communications Letters (Communication Systems II) e pesquisador Produtividade em Pesquisa (PQ) do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Tem experiência na área de Engenharia Elétrica, com ênfase em Telecomunicações, atuando principalmente na área de comunicações sem fio. Tem experiência na indústria nas áreas produtiva e de suprimentos. Suas pesquisas incluem aspectos gerais sobre transmissão digital, comunicação móvel, canais com desvanecimento e sensoriamento espectral para sistemas de rádio cognitivo. Seu mais recente interesse situa-se em técnicas de inteligência artificial aplicadas às telecomunicações. Revisor de vários periódicos. É Senior Member do IEEE e Sócio Sênior da Sociedade Brasileira de Telecomunicações (SBrT), membro do COMSOC, TVT e AP/S.

INSTITUIÇÃO / CARGO
Prof. do Inatel
PUBLICADA
01 ABR 2026

1. Como foi a sua formação profissional? Como foi essa escolha? O que lhe levou para a sua área de pesquisa?

Eu me formei no Instituto Nacional de Telecomunicações, Inatel, como engenheiro eletricista com ênfase em Telecomunicações e Eletrônica, no ano de 1994. O meu curso de mestrado também foi no Inatel, com término no ano de 2002. Já o doutorado eu terminei no ano de 2009, na Universidade Estadual de Campinas, Unicamp. Mais recentemente, entre 2023 e 2025, tive a oportunidade de trabalhar como pesquisador de pós-doutorado na University of Sydney, Austrália.

Entre os meus cursos de graduação e mestrado, trabalhei na iniciativa privada na área produtiva, como engenheiro eletricista. Este foi um período muito importante na minha formação profissional, pois aprendi muito sobre questões comportamentais dentro de uma empresa privada, o que tem sido decisivo em minha carreira profissional. Embora fosse um período de muito aprendizado e desafios, principalmente para um jovem engenheiro, desde o meu período de graduação eu já tinha um desejo de trabalhar na área acadêmica como docente. E este foi basicamente o motivador para que eu deixasse aquela posição em uma excelente empresa para fazer o mestrado. O Inatel havia acabado de abrir o seu programa de mestrado em 2001. Além de ter participado da primeira turma do mestrado também fui o primeiro aluno a finalizar uma dissertação de mestrado no Inatel. Este período, juntamente com o meu doutorado na Unicamp, foram os grandes impulsionadores para que eu focasse todos os meus esforços para permanecer na área de pesquisa, que é o estudo de sistemas de comunicações sem fio.

2. Poderia nos contar sua trajetória profissional?

Durante o meu curso de graduação trabalhei como monitor de física nos laboratórios do Inatel. A semente do estudo e da docência estava lançada. Após minha graduação, trabalhei com a implantação do sistema ISO 9000 em uma empresa de telecomunicações e, na mesma empresa, como supervisor de compras. No Inatel já são quase 24 anos, como docente de graduação, mestrado e doutorado, coordenador adjunto da pós-graduação Lato Sensu, membro do conselho diretor da fundação mantenedora do Inatel, Finatel, entre outras funções. Também fui docente na Faculdade de Medicina de Itajubá, ministrando disciplinas de Estatística, o que me proporcionou uma experiência profissional muito interessante em uma área totalmente diferente da minha formação.

3. Quais suas referências profissionais?

Destaco três pessoas como exemplos profissionais com os quais tive o privilégio de conviver. Na empresa que trabalhei após minha graduação, Leucotron, os dois proprietários à época, Dilson Frota Moraes e Marcos Goulart Vilela. Eles foram importantes no início de minha carreira, pois eram muito profissionais, honestos e corretos no relacionamento com as pessoas que eles contratavam. Penso que para mim foi como um aprendizado diário de liderança, tanto no aspecto comportamental quanto no técnico. A terceira pessoa que guardo como referência, e posso dizer que foi meu mentor, é o Prof. Michel Daoud Yacoub. Fui recebido pelo Prof. Michel como aluno de doutorado mesmo estando em meus 30 anos e não podendo me dedicar exclusivamente ao doutorado. Para mim, essa foi uma atitude altruísta. Era extraordinário perceber a motivação de um pesquisador para trabalhar com tantos temas desafiadores, modelos matemáticos e muitas distribuições.

4. O que lhe motiva a participar de sociedades científicas, e em especial da SBrT?

Após vários anos participando de sociedades científicas, acredito que, além de serem uma fonte de conhecimento técnico, elas nos proporcionam a oportunidade de entrar em contato com os pesquisadores autores dos artigos científicos. Apenas citando alguns exemplos, atualmente estou servindo o IEEE como Editor da IEEE Communications Letters. Na SBrT já servi como Editor-in-Chief da Journal of Communication and Information Systems (JCIS) e como coordenador-geral do XL Simpósio Brasileiro de Telecomunicações e Processamento de Sinais (SBrT 2022) realizado no Inatel. Essas formas de participação na SBrT são catalizadoras para novas parcerias e, principalmente, para estabelecermos novas amizades. Esforço-me anualmente para participar dos Simpósios promovidos pela SBrT, pois tenho tido a oportunidade de manter amizades de longo prazo e, frequentemente, construir novas amizades, principalmente os jovens estudantes, pesquisadores e professores.

5. Qual foi a sua primeira participação no Simpósio Brasileiro de Telecomunicações? Nos eventos que participou, houve algum fato que gostaria de nos contar?

De fato, minha primeira participação em um evento promovido pela SBrT foi no International Telecommunications Symposium de 2006 (ITS'2006) realizado em Fortaleza. Apenas alguns anos depois participei do Simpósio Brasileiro de Telecomunicações realizado em Brasília, no ano de 2012. Não há dúvida de que ter sido o coordenador-geral do SBrT 2022 foi um fato marcante em minha carreira. Coordenar um evento desse porte em uma pequena cidade do sul de Minas Gerais foi um grande desafio. Em algum nível de envolvimento, acredito ser uma experiência positiva para os membros da SBrT a participação nos simpósios não apenas como participante, mas como membro da organização. Sem dúvida alguma, passamos a ter uma nova visão do Simpósio.

6. Como o senhor enxerga a formação atual e há algo que precisamos (ou devemos) mudar?

Não é possível desassociar a palavra desafio da formação atual, principalmente na grande área de engenharia. É um desafio ensinar e formar jovens em um mundo que passa por profundas mudanças de forma tão rápida. Ainda acredito no ensino dos fundamentos da engenharia, que são matemática e física, mas devemos nos abrir como educadores para novas formas de ensino, incluindo o uso de inteligência artificial como ferramenta de ensino. Vejo de forma muito positiva os esforços de várias sociedades na disseminação da abordagem interdisciplinar STEM, acrônimo em inglês para Science, Technology, Engineering and Mathematics.

Particularmente, sou favorável à integração das áreas para resolver problemas reais, desenvolvendo pensamento crítico, criatividade e colaboração.

7. O senhor tem algum hobby? Poderia nos indicar alguma fonte não técnica que usa para se informar (livro, revista, site, etc)?

Embora não possa ser classificado exatamente como um hobby, tenho um envolvimento bastante significativo com minha igreja local, a Igreja Batista Universitária. Ela nasceu exatamente dentro do ambiente universitário, o que motivou o seu nome. Neste ambiente eu tenho a oportunidade de servir a comunidade de várias formas e sou constantemente desafiado a aliar fé e razão. Sou um leitor e estudioso de livros de teologia, devido ao meu interesse constante pelo cristianismo. Especialmente dentro da teologia, interessam-me muito as respostas do cristianismo para os problemas e desafios enfrentados pela família moderna. Grande parte do meu tempo fora do ambiente de trabalho é dedicada a leituras e reflexões sobre esse tema.

8. Que conselhos o senhor daria a um jovem que está iniciando sua vida profissional em engenharia?

Tenha paciência, mas também esforce-se. Por vezes, devido principalmente a uma cultura tão imediatista, o jovem engenheiro pode querer resultados rápidos. Os resultados não acontecem de forma rápida para a maioria das pessoas. É preciso paciência, mas com muita dedicação na realização das responsabilidades.

9. Quais áreas científicas ou tecnológicas o senhor apontaria como norteadoras do futuro próximo?

Eu acredito que ainda estamos incertos quanto ao uso da inteligência artificial como ferramenta para solucionar problemas e avançar no desenvolvimento das diversas frentes científicas e tecnológicas. Este último avanço da inteligência artificial está nos trazendo à tona questões técnicas e éticas com as quais ainda não temos total familiaridade. Sem dúvida, essa área aponta para o futuro e, para alguns, também desperta certo receio. Eu poderia citar, dentro da minha área de pesquisa, os significativos avanços no estudo das futuras redes 6G. Entretanto, qualquer avanço nessas redes tem por premissa não apenas o uso da inteligência artificial, mas, de fato, a inteligência artificial faz parte da própria rede. Ainda temos muito que avançar nas discussões técnicas e éticas dentro dessa área.

10. Algo mais que gostaria de comentar?

Eu me considero uma pessoa privilegiada por, ao longo de toda a minha carreira, ter tido a oportunidade de me relacionar com pessoas de perfis tão diferentes. Desde a minha época em uma empresa produtora de equipamentos de telecomunicações até as minhas atividades atuais como professor, orientador e pesquisador, tive a oportunidade de conviver com pessoas muito diferentes. Que privilégio servir, ainda que temporariamente, as sociedades científicas de que participo. Tenho imenso carinho e apreço pela SBrT que calorosamente me acolheu como participante de uma conferência, sócio e agora sócio sênior. Foram esses relacionamentos que ajudaram a forjar meu perfil profissional. Por todos eles, sou imensamente grato. Com menção honrosa, cito meus alunos. Para alguém que sempre gostou de ensinar, confesso que tenho aprendido muito com meus alunos, motivando-me a continuar minha jornada profissional. Meus alunos, obrigado!

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