Sociedade Brasileira de Telecomunicações · desde 1983 PT · ENsecretaria@sbrt.org.br
SBrT
Sociedade Brasileira
de Telecomunicações
Início · Entrevistas · Prof. Valdemar C. da Rocha Jr
Entrevista · Memória da SBrT

Prof. Valdemar C. da Rocha Jr

Possui graduação em Engenharia Elétrica Modalidade Eletrônica, Escola Politécnica, Universidade de Pernambuco (1970) e Ph.D. em Eletrônica pela University of Kent at Canterbury, Inglaterra (1976). Atualmente é professor titular na Universidade Federal de Pernambuco. Pesquisador 1A do CNPq (1993-2016). Presidente da Sociedade Brasileira de Telecomunicações (2004-2008). Fellow do Institute of Mathematics and its Applications (FIMA) e Chartered Mathematician (CMath) desde 1992. Professor Visitante nas universidades de Lancaster (2007-2015), Leeds (2005-2006) e ETH-Zurich (1990-1992). Tem experiência em Telecomunicações, com ênfase em códigos corretores de erros, teoria da informação e criptografia. RID: http://www.researcherid.com/rid/I-6965-2013 . Google Citations: https://scholar.google.co.uk/citations?hl=en&user=qGSseQsAAAAJ . ORCID: https://orcid.org/0000-0002-1416-479X

INSTITUIÇÃO / CARGO
PUBLICADA
01 FEV 2021

1. Como foi a sua formação profissional? Como foi essa escolha? O que lhe levou para a sua área de pesquisa?

Fiz a graduação em engenharia no período de 1966 a 1970, na Escola Politécnica em Recife, a qual atualmente faz parte da Universidade de Pernambuco. Iniciei como aluno do curso de engenharia mecânica, porém após concluir o segundo ano, meu interesse por matemática me fez decidir pelo curso de engenharia elétrica. Na época, o curso de engenharia elétrica oferecia uma disciplina denominada Matemática Superior Aplicada, além dos tradicionais cursos de Cálculo 1 e Cálculo 2. Uma vez na elétrica, escolhi direcionar minha formação para a área de eletrônica. Ao concluir a graduação, decidi continuar investindo na minha formação e fui para Campina Grande, onde permaneci de 1971 até meados de 1972, como aluno de mestrado e simultaneamente dava aulas no curso de graduação em engenharia elétrica. Fui então aceito como aluno de pós-graduação na University of Kent at Canterbury , onde concluí o Ph.D. no início de junho de 1976, voltado para telecomunicações, em particular, para códigos corretores de erros. Meu doutorado exigiu conhecimentos de matemática de corpos finitos e o projeto e construção de hardware para codificação e decodificação de códigos corretores de erros. A bolsa de estudos da CAPES foi importante durante estes anos como estudante de pós-graduação. Retornando ao Recife imediatamente após conclusão do doutorado, consegui um emprego na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e dei continuidade à minha pesquisa em códigos corretores de erros, embora houvesse a opção de juntar-me a um grupo de pesquisa em micro-ondas, que tinha ligação com o Departamento de Física.

2. Poderia nos contar sua trajetória profissional?

Após obter o título de Ph.D. em 1976, ingressei na UFPE como Professor Visitante, posição na qual permaneci durante cinco anos. Por meio de concurso tornei-me Professor Adjunto (1981) e Professor Titular (1993). Atualmente ocupo a posição de Professor Titular. Na UFPE participei da criação do programa de pós-graduação em engenharia elétrica (PPGEE) em 1977, tendo ocupado em mais de uma ocasião as funções de coordenador e de vice coordenador do PPGEE. Em 1979, participei da criação do Departamento de Eletrônica e Sistemas, onde ocupei as funções de chefe e de sub chefe. Fui professor visitante no ETH Zurique (1990-1992), Universidade de Leeds (2005-2006) e Universidade de Lancaster (2007). Nessas instituições tive oportunidade de lecionar e de coorientar alunos.

3. Quais suas referências profissionais?

Citaria meu orientador de doutorado, Prof. Paddy G. Farrell, com quem aprendi sobre códigos corretores de erros e tomei gosto pela área de comunicação digital. Tive o privilégio de conviver com o saudoso Professor James L. Massey, conseguindo expandir meus conhecimentos na área de criptografia, na época em que ele criou as cifras de chave-secreta IDEA e SAFER. Menciono também os professores Bahram Honary e Garik Markarian com os quais tenho interagido por muitos anos, e que em paralelo às atividades acadêmicas, conseguiram sucesso com as empresas HW Communications Ltd. e Rinicom Ltd., respectivamente.

4. O senhor tem experimentado cooperações internacionais há bastante tempo,

                  pode nos falar sobre elas e qual a importância nos seus trabalhos e
                  pesquisas dessas cooperações?

Do ponto de vista de suporte financeiro, a denominada cooperação internacional, no meu caso, sempre se restringiu ao pagamento de diárias e de passagens aéreas. Do ponto de vista acadêmico, considero que a cooperação internacional trouxe também benefícios, talvez indiretos, para a formação de pessoal de pós-graduação do PPGEE-UFPE, e que inevitavelmente alcançam também os alunos de graduação. O sucesso de tal cooperação, efetivamente, em geral foi bastante dependente de um conhecimento preexistente entre o proponente e os convidados estrangeiros. Pelo fato de as visitas serem de curta duração, a eventual realização de um trabalho conjunto sempre dependeu de uma colaboração informal que precedia a visita. Ao longo dos anos, com o apoio do CNPq, consegui trazer à UFPE vários pesquisadores estrangeiros, para contatos de pesquisa e seminários, sempre voltados prioritariamente para telecomunicações, códigos corretores de erros e criptografia. As discussões informais e visitas técnicas que pude fazer, ao participar de conferências no exterior, também desempenharam um papel importante.

5. O que lhe motiva a participar de sociedades científicas, e em especial

                  da SBrT?

Acredito que o que me motiva a participar de sociedades científicas não é muito diferente da motivação de outros participantes. Uma sociedade científica propicia um ambiente voltado para estimular a atividade de pesquisa e para facilitar o contato entre pesquisadores com interesses em comum. Já a participação em uma diretoria de uma sociedade científica, ou em editoria de revista científica, ou na organização de conferências de uma sociedade científica, proporciona naturalmente a tais indivíduos um conhecimento mais abrangente daquilo que acontece naquela comunidade, em nível nacional ou internacional. Um ganho adicional é a consequente visibilidade adquirida pelo participante, com desdobramentos que podem incluir convite para participação em bancas examinadoras diversas, consultoria ad hoc em comitês para órgãos de fomento, etc. No caso da SBrT isso não é diferente. Em especial, ao longo dos 12 anos nos quais participei da Diretoria da SBrT, sempre contei com a colaboração irrestrita dos colegas diretores e presidentes. Trabalhamos sempre num ambiente de cordialidade e respeito, o que tem colaborado, sem dúvida, para a continuidade e avanços da SBrT.

6. Qual foi a sua primeira participação no Simpósio Brasileiro de

                  Telecomunicações? Nos eventos que participou, houve algum fato que gostaria
                  de nos contar?

Tive a honra de participar em 1983 do primeiro Simpósio Brasileiro de Telecomunicações, realizado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, a convite do Professor Roberto Boisson de Marca, que coordenou o evento, ocasião em que foi criada a Sociedade Brasileira de Telecomunicações. Naquela oportunidade pude conhecer os principais pesquisadores brasileiros em telecomunicações presentes ao evento e de ter a satisfação de visitar o Centro de Estudos em Telecomunicações (CETUC), a convite do Professor Weiler Finamore que, salvo engano, era na época o Diretor do CETUC.

7. Como o senhor tem lidado com as atividades profissionais nesse período

                  de distanciamento social?

Por muito pouco não fiquei impedido de retornar ao Brasil em 2020. Estava na Inglaterra e retornei ao Recife em 12 de março. No dia seguinte, vários países europeus suspenderam voos para o exterior. Durante os meses seguintes tratei de observar as recomendações básicas para evitar o contágio, já que pela idade faço parte de grupo de risco. Tenho mantido contato com os alunos e lecionado remotamente por meio da Internet, com o uso de ferramentas disponíveis para tal. Talvez tive sorte de lecionar para um grupo de alunos motivados, chegando até à conclusão do curso sem que nenhum deles tivesse desistido. Todos, no entanto, concordaram que melhor seria se pudéssemos ter tido aulas presenciais. Tenho também mantido minhas atividades de pesquisa interagindo remotamente com meus colaboradores.

8. O senhor tem algum hobby? Poderia nos indicar alguma fonte de

                  informação (livro, revista, site etc.)?

Desde a juventude tive interesse em ler biografias, tanto de cientistas como de outras personalidades que tiveram destaque, em nível nacional ou mundial. A lista seria extensa e cansativa, por isso cito apenas alguns exemplos: Abraham Lincoln (autor: Dale Carnegie), Madame Curie (autora: Eva Curie), Enrico Fermi (autor: Emilio Gino Segrè) e Richard Feynman (autores: Richard Feynman e Ralph Leighton). Atualmente consulto a Wikipedia, como fonte complementar para este tipo de conteúdo.

9. Que conselhos o senhor daria a um jovem que está iniciando sua vida

                  profissional em engenharia?

Gostar de verdade daquilo que optar por fazer, ser honesto e ético.

10. Na sua carreira, o senhor tem convivido com várias gerações de alunos e

                  pesquisadores, que diferenças, similaridades, avanços ou regressos pode
                  destacar?

De vez em quando ouço frases como "a cada ano as turmas de alunos são mais fracas". Discordo frontalmente de tal afirmação. A única verdade que observo é a de que, a cada ano, os alunos que recebo estão cada vez mais jovens em relação a mim. No universo de alunos que observo há 50 anos, tenho tido a satisfação de encontrar gente muito capaz. Devido a fatores que não me cabe aqui aprofundar, vários desses bons alunos optam por viver fora do Brasil. Por outras razões, entre elas os laços familiares, muitos bons ex-alunos continuam no Brasil e têm colaborado positivamente, tanto para a pesquisa acadêmica como atuando profissionalmente fora da academia.

← Voltar para Entrevistas
SBrT

Sociedade Brasileira de Telecomunicações. Rua Marquês de São Vicente, 225 — Rio de Janeiro, RJ.

NavegaçãoSociedadeEventosAssocie-se
PublicaçõesRevista JCISEntrevistasNotícias
Contatosecretaria@sbrt.org.br+55 21 99777-3246Fale conosco →
© SBrT · Todos os direitos reservadosPolítica de privacidade